Forças pró-governamentais sírias disparam contra uma multidão que participava nos funerais de três jovens mortos ontem durante as maiores manifestações em Damasco desde o início da revolta contra o Presidente Bashar al-Assad. Há informações de pelo menos uma vítima mortal. Num encontro com o Presidente sírio, um enviado chinês pediu às duas partes para “cessarem de imediato a violência”.

“Começaram a disparar contra a multidão depois dos funerais. As pessoas estão a fugir e a procurar refúgio nos becos”, contou à Reuters, por telefone, um habitante de Mazze bairro no Oeste de Damasco, onde se concentram várias embaixadas e edifícios governamentais e palco de um dos maiores protestos da véspera. O Observatório dos Direitos Humanos sírio, organização que recolhe informação junto de activistas no terreno, disse à AFP que havia “disparos incessantes” no bairro que terão provocado vários feridos. Os conselhos de coordenação locais, um dos grupos mais activos da oposição, diz que os disparos junto ao cemitério mataram pelo menos uma pessoa e feriram outras quatro, incluindo uma mulher baleada na cabeça.Antes da confusão se instalar, imagens transmitidas em directo através da Internet mostram milhares de pessoas nos funerais, repetindo palavras de desafio contra Assad: “Sacrificaremos o nosso sangue e a nossa alma pelos mártires. Um só, o povo sírio é um só”. Segundo os activistas – o regime sírio não autoriza a presença de jornalistas estrangeiros, tornando impossível a confirmação independente destas informações – dezenas de milhares de pessoas saíram à rua na véspera em Mazze e em vários outros bairros de Damasco, mais habituada até agora a manifestações pró-Assad. Houve também informações consistentes de grandes protestos em Aleppo, a segunda maior cidade do país e igualmente pouco habituada à contestação. Um desafio a que o regime respondeu com mão férrea: segundo o Observatório pelo menos 30 pessoas foram mortas em vários pontos do país, quatro das quais em Damasco. Animada com a mobilização, a oposição convocou para amanhã um “dia de desobediência” na capital, esperando que muitas lojas e escolas no primeiro dia da semana de trabalho.China pede fim da violênciaNo encontro desta manhã com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Assad insistiu que o regime se limita a responder aos grupos armados que têm como propósito “dividir o país e atacar a sua posição geopolítica e o seu papel histórico na região”. Na resposta, Zhai Jun reafirmou que Pequim não aprovará nunca “uma intervenção armada na Síria, nem a chegada pela força de uma dita mudança de regime”. O enviado chinês avisou, ainda assim, que o “governo, a oposição e aos grupos armados devem parar de imediato os actos de violência” para que a calma regresse “o mais rapidamente possível” ao país, permitindo levar por diante as reformas prometidas por Assad. A China, tal como a Rússia, vetaram no início do mês uma proposta de resolução apresentada pelos países árabes ao Conselho de Segurança da ONU, condenando a repressão do regime sírio e defendendo a saída de Assad do poder. Os dois países, juntamente com outras dez nações, mantiveram a posição no debate de sexta-feira na Assembleia-Geral da ONU, onde a resolução (agora sem carácter vinculativo) foi aprovada.

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A cidade rebelde de Homs, no centro da Síria, foi “alvo dos mais violentos bombardeamentos dos últimos 14 dias” nesta sexta-feira de manhã, levados a cabo pelas forças do regime de Bashar al-Assad, afirmou um militante no terreno à AFP.

“É incrível, de uma violência extrema, nunca vimos isto. Estão a ser disparados cerca de quatro rockets por minuto”, afirmou Hadi Abdallah, membro da comissão geral da revolução síria.Na quinta-feirà à noite, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução condenando a violação dos direitos humanos na Síria e apelando ao fim da violência. O documento também pede ao Presidente Bashar al-Assad para sair do poder.A Amnistia Internacional já fez saber que esta resolução envia uma “mensagem clara e sem equívocos” ao regime de Bashar al-Assad.“Esta votação envia uma mensagem clara e sem equívocos da comunidade internacional à Síria, pedindo o fim imediato dos ataques brutais contra inocentes”, afirmou José Luis Diaz, representante da Amnistia Internacional junto da ONU num comunicado divulgado hoje.“Estão a ocorrer na Síria crimes contra a Humanidade. Apesar de a Síria e um punhado de Estados continuam a proteger o regime, o resultado do voto mostra até que ponto eles estão cada vez mais isolados”, indicou ainda José Luis Diaz.Dos 193 países da Assembleia Geral da ONU, 137 votaram a favor de uma resolução denunciando a repressão na Síria, que deverá acentuar o isolamento do regime de Damasco. Doze países, porém, votaram contra, nomeadamente: Rússia, China, Cuba, Irão, Coreia do Norte e Venezuela.“Esses Estados que continuam a bloquear as iniciativas para pôr fim à repressão terão sangue inocente nas suas mãos”, estimou ainda José Luis Diaz.A revolta hostil contra o regime de Bashar al-Assad já terá feito mais de 6000 mortos desde Março do ano passado.Notícia actualizada às 8h

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A Turquia quer voltar a assumir o papel de liderança contra o regime de Bashar al-Assad e anunciou estar disponível para organizar uma conferência de apoio ao povo sírio.

“Queremos ter este encontro na nossa região para mostrar a nossa solidariedade e a legitimidade regional. Pode ser na Turquia, pode ser noutro país”, disse numa entrevista à Reuters o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu. “Não chega ser um observador. É tempo de enviar uma mensagem forte.”Os turcos foram dos primeiros a fazer subir o tom das críticas contra Damasco, mas recuaram depois de chegarem a anunciar que poderiam permitir aos desertores lançar ataques a partir do seu território.Para Ancara, se o Conselho da Segurança da ONU não consegue proteger civis, cabe aos países que estejam de acordo encontrar formas de pôr fim às mortes e de levar ajuda aos que estão encurralados por assaltos militares.Washington também está a ponderar fazer chegar ajuda aos sírios. “Estamos a reflectir sobre a possibilidade de fornecer ajuda humanitária”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em resposta a uma pergunta sobre uma eventual tentativa de armar a oposição, como defendera na véspera o influente senador republicano John McCain. Muitos opositores pedem precisamente o envio de ajuda, mas na situação actual é pouco claro como é que isso pode ser feito sem a abertura de um corredor protegido – pelo menos por ar – por meios militares.Rússia insiste que não aceitará ingerênciasUm dia depois da visita do seu chefe da diplomacia a Damasco, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, repetiu que Moscovo não aceitará qualquer ingerência externa na Síria, apelando aos países ocidentais e árabes para “não se comportarem como elefantes numa loja de porcelana”. Os russos (seguidos pelos chineses) vetaram no sábado uma resolução do Conselho de Segurança a condenar a violência e a pedir a Assad para deixar o poder.A três semanas das presidenciais russas, nas quais Putin se candidata para recuperar o seu antigo cargo, “a Rússia mantém uma posição clara e firme, ditada por interesses de Estado”, disse à AFP o analista Boris Dolgov. Damasco é actualmente o único árabe aliado dos russos.A Rússia, que recusa evocar a partida do Presidente sírio, criticou ainda a decisão dos seis países que formam o Conselho de Cooperação do Golfo de retirar os seus embaixadores de Damasco e expulsar os enviados sírios nas suas capitais. Washington também já encerrou a sua representação em Damasco e vários países europeus chamaram nos últimos dias os diplomatas sírios para consultas.

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O destino do Presidente sírio Bashar al-Assad deverá ser decidido “pelos próprios sírios” após negociações entre o regime e a oposição, defendeu nesta quarta-feira o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, um dia após a sua visita a Damasco.

Serguei Lavrov não respondeu directamente a um jornalista que lhe perguntou se teria discutido com o Presidente Assad a possibilidade de este abandonar o poder, optando por responder o seguinte: “Toda a conclusão do diálogo nacional deverá ser o resultado de um acordo entre os próprios sírios, aceite por todos os sírios”.“Nós apoiamos todas as iniciativas que visem criar condições para o diálogo entre os sírios”, sublinhou Lavrov, “e é isso que deverá fazer a comunidade internacional, quer seja o mundo árabe, a Europa, os Estados Unidos ou outras regiões do mundo”, disse ainda o chefe da diplomacia russa.“Tentar determinar a priori o resultado do diálogo nacional não é assunto para ser tratado pela comunidade internacional”, sublinhou o ministro, citado pela AFP.Serguei Lavrov, que se deslocou na terça-feira à Síria para se encontrar com Bashar al-Assad, declarou em Damasco ter tido um encontro “muito útil” com o Presidente sírio, que lhe prometeu “fazer cessar as violências”.Esta visita aconteceu depois de Rússia e China terem vetado, no sábado, na ONU, um projecto de resolução do Conselho de Segurança. Esse documento, apresentado por países ocidentais e por alguns países árabes, condenva a repressão na Síria.O veto sino-russo fez levantar a indignação de boa parte da comunidade internacional. De acordo com vários diplomatas e peritos ocidentais, este gesto poderá encorajar o Presidente Assad a continuar a repressão contra os opositores sírios e a verdade é que a cidade de Homs – um bastião da oposição – tem sido massacrada pelo regime de Assad.Ministro russo recebido em Damasco por milhares de sírios

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Várias dezenas de civis morreram em ataques das forças de segurança na cidade de Homs, na Síria, um lugar de forte contestação ao regime de Bashar al-Assad e alvo de ataques há já cinco dias, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Três famílias completas figuram entre as vítimas dos ataques desta quarta-feira, mortas durante a madrugada por milicianos do regime, especifica o OSDH.“Depois da madrugada os bombardeamentos foram extremamente intensos e foram disparados muitos rockets”, indicou Omar Chaker, um habitante de Homs contactado por telefone a partir de Beirute.O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com base no Reino Unido, já na terça tinha dado conta de centenas de mortos nos últimos dias em Homs, onde as forças do regime lançaram uma violenta ofensiva na noite de sexta-feira visando reprimir a contestação.A violência da última noite acoentece algumas horad depois de o ministro russo dos Negócios Estrangeiros ter chegado a Damasco. Serguei Lavrov foi recebido em euforia na capital, aonde se deslocou depois do veto da Rússia e da China nas Nações Unidas ter impedido que o Conselho de Segurança tomasse uma posição crítica contra o regime de Bashar al-Assad, que tenta reprimir há quase um ano uma revolta contra o seu domínio.As autoridades russas tinham anunciado esta visita no domingo passado, frisando que Lavrov irá discutir com Assad a “concretização rápida de reformas democráticas indispensáveis” naquele país, onde a repressão que o regime exerce sobre as manifestações da oposição e os combates entre o Exército e forças da rebelião se saldam já com um balanço de mais de 5400 vítimas mortais, de acordo com estimativas das Nações Unidas.

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O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António José Seguro, saudou hoje a eleição de Alfredo Pérez Rubalcaba para secretário-geral do partido socialista Espanhol (PSOE).

De acordo com uma nota de imprensa do PS, António José Seguro acredita que o intensificar das relações entre os socialistas portugueses e espanhóis poderá constituir um impulso importante para a refundação da esquerda democrática europeia. “Os principais partidos socialistas europeus renovaram as suas lideranças e estão agora prontos para renovarem uma proposta progressista à crise que nos afecta”, diz o comunicado. O secretário-geral do PS reuniu-se em Outubro, em Madrid, com Alfredo Rubalcaba para debater as relações entre Portugal e Espanha e o socialismo democrático na Europa. Segundo o mesmo comunicado, Seguro e Rubalcaba são ambos defensores do federalismo europeu.

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O Governo português lamentou o resultado da votação de hoje no Conselho de Segurança (CS) da ONU sobre a Síria, face a “violações massivas, graves e contínuas de direitos humanos e ao eclodir de uma guerra civil”.

“A grave situação na Síria requer uma firme reacção e vontade de re-establecer a segurança e a paz, e reclama um urgente processo de transição e negociação políticas, que evitem o perigoso agravamento da situação interna que se aproxima de uma guerra civil”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado.“Para um país, como Portugal, que acredita no multilateralismo, é importante valorizar a eficácia do sistema das Nações Unidas, ainda para mais quando estamos perante violações massivas, graves e contínuas de direitos humanos, e ao eclodir de uma guerra civil. Nesse sentido, os vetos [da Rússia e da China] na reunião de hoje [do CS da ONU] prejudicam a mencionada eficácia das Nações Unidas”, acrescenta o comunicado.O Governo reconhece uma “evolução” entre a votação de uma proposta de resolução em Outubro último de condenação à violência na Síria e de apelo a uma solução pacífica para a contestação ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad (nove votos favoráveis) e a votação de hoje.“Treze países, incluindo a África do Sul, a Índia e o Paquistão, e representando a diversidade da política internacional e todos os continentes, votaram a favor do texto [submetido à aprovação do CS por Marrocos], expressando um muito amplo apoio da comunidade internacional aos esforços da Liga Árabe para a resolução pacífica da crise na Síria”, destacou o ministério liderado por Paulo Portas. “Há, portanto, uma evolução favorável que apenas o exercício do direito de veto impediu, neste momento, de tornar operacional”, sublinhou ainda. O Governo esclareceu que proponentes e co-patrocinadores do projecto de resolução chumbado hoje, incluindo a Liga Árabe, os membros europeus no CS e os EUA, “tudo fizeram para acolher as preocupações da Rússia e da China, até ao limite inultrapassável que afectaria a efectividade da resolução”. Neste sentido “foram clarificadas, expressamente, as garantias de que o plano da Liga Árabe não envolvia uma intervenção militar, nem tão pouco abordava a questão das sanções, focando-se num poderoso e corajoso processo de cessação da violência e início de negociações políticas visando uma transição pactuada entre todas as facções sírias”, esclarece o comunicado do MNE. O Governo considera que o “sentido da história”, no que respeita a “defesa dos direitos humanos e dignidade da vida humana na Síria, é irreversível, e esta questão continuará a ser tratada no Conselho de Segurança”. “As circunstâncias trágicas no terreno e a pressão da opinião pública mundial, tornarão inevitável, mais tarde ou mais cedo, uma decisão firme das Nações Unidas”, vaticina o comunicado. Por último, “Portugal reitera o seu firme apoio aos esforços da Liga Árabe para a resolução da crise na Síria” e, na qualidade de membro do CS, compromete-se a manter o seu “forte empenho” nesta matéria, “contribuindo activamente para o fim dos massacres, a responsabilização pelos actos de violência e o início de um urgente processo de transição política na Síria”. A Liga Árabe renovou hoje o apelo ao regime de Bachar al-Assad a que ponha fim à repressão sangrenta contra manifestantes, expressando através de um comunicado a “sua extrema condenação face à continuação do agravamento das violências e dos combates na Síria”, qualificando a repressão ocorrida em Homs como a “mais violenta” desde o início da crise. “A escalada da violência coloca em crise síria numa espiral perigosa que irá conduzir a um agravamento da situação e ao aumento do número de mortos”, acrescenta o comunicado divulgado a partir do Cairo. A organização apelou ao governo sírio para que “pare a matança” e a “deixar de procurar uma solução securitária que já fez prova da sua ineficácia”.

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Milhares de pessoas saíram este sábado para as ruas de Moscovo para participar em manifestações contra e a favor do primeiro-ministro, Vladimir Putin, apesar das temperaturas negativas, com os termómetros a marcarem -19º Celsius.

De acordo com as informações avançadas pela polícia russa, as marchas a favor de Putin conseguiram reunir cerca de 90 mil participantes. Já os protestos contra o primeiro-ministro terão juntado apenas 23 mil pessoas. No entanto, não existem informações vindas de fontes independentes.Desde que a dupla Putin/Medvedev (o actual chefe de Estado) anunciaram que trocariam de lugar após as presidenciais de 4 de Março que se têm multiplicado os protestos na Rússia, com vários apelos de movimentos locais e dos observadores internacionais a umas eleições livres.O regime russo enfrenta a maior contestação desde que Vladimir Putin chegou ao poder, em 2000. Essa contestação subiu de tom após as eleições legislativas do final do ano passado, que segundo a oposição foi fraudulenta e deu a vitória à Rússia Unida, a coligação de Putin. A popularidade de Putin (que já foi Presidente durante dois mandatos) baixou nos últimos meses, mas as sondagens mostram que ainda é o grande favorito para vencer as presidenciais.

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Chacón tem mais apoios e pode ser a primeira mulher a liderar o PSOE. Mas há dezenas de indecisos e muitas manobras de bastidores.

Previsões de um dia de sol para um congresso a decorrer num hotel chamado Renascimento, bem perto do parque temático Isla Mágica. Cenário ideal para um partido que se quer mostrar unido e renovado apesar de ir a votos dividido e com dois candidatos do aparelho, e apenas três meses depois da maior derrota eleitoral de sempre, nas legislativas de Novembro, que deram a maioria absoluta ao conservador Mariano Rajoy.O 38.º Congresso do Partido Socialista Espanhol arrancou ontem à tarde com o lema A Resposta Socialistae discursos de apelo à unidade e renovação. Mas nem o partido aproveitou o desaire eleitoral para lançar um debate interno que permitisse uma verdadeira renovação – e a apresentação de uma alternativa real – nem se antevê que de Sevilha saia um partido unido. Aliás, é tão desavindo que o PSOE se prepara hoje para ouvir os discursos dos candidatos a líderes, a ex-ministra da Defesa Carme Chacón, e o ex-”número dois” e candidato derrotado às legislativas, Alfredo Pérez Rubalcaba, que quase ninguém arrisca apostar num vencedor.”Os discursos no congresso serão muito importantes”, defende o politólogo Anton Losada, ouvido pela AFP. Vários colunistas prevêem o mesmo e sublinham a importância do momento-chave, as 11h de hoje, altura em que estão previstas as intervenções. A ordem será decidida por sorteio – e também isso é analisado como potencialmente determinante. Antoni Gutiérrez-Rubí, perito em comunicação política, lembrava ontem no El Paíso impacto do discurso de José Luis Rodríguez Zapatero, que no congresso de 2000 falou em último lugar, “rompendo o ambiente de pessimismo e abatimento socialista”. “Companheiros e companheiras, não estamos assim tão mal!”, começou por dizer o então candidato a secretário-geral, que ontem foi a Sevilha despedir-se da política.”Votem em quem votarem, todos serão vencedores”, gritou aos delegados José Antonio Griñán, presidente do governo autónomo da Andaluzia. Marcelino Iglesias, secretário da direcção, garantiu que o partido sairá “mais forte e unido”. Para além das palavras, houve lugar ao momento de aparência de unidade: o encontro de Rubalcaba e Chacón, que se sentaram juntos e conversaram pela primeira vez desde o início do despique.Quando hoje se votar, termina uma campanha entre veteranos: Rubalcaba já ocupou quase todos os cargos no partido e no Governo (e tem o apoio do histórico Felipe Gonzaléz), mas é com Chacón que estão todos os próximos de Zapatero. A candidata que se apresenta como o rosto da renovação fez o percurso típico de militante, deputada, vice-presidente no Parlamento e ministra.Votos e pressõesNos bastidores, a guerra prosseguia. Nos últimos dias, ambas as candidaturas têm garantido ter apoios para ganhar – dizem estar em vantagem mais ou menos por 100 votos e admitem ter detectado 70 a 80 indecisos. A decisão cabe a 956 delegados e o voto é secreto. “Claro que há contactos, então não é normal?… E os restaurantes de Sevilha devem estar que nem lhe digo”, afirmou Rubalcaba à rádio Cadena Ser. Recusando da sua parte quaisquer “pressões e ameaças” sobre os delegados – o secretário do PSOE de Sevilha denunciou “pressões ilícitas, ilegais e imorais” das candidaturas -, afirmou estar “seguro de que os delegados vão votar em quem julgarem, em consciência, ser o melhor para o PSOE”. Alguns militantes já avisaram que não votarão em que se espera que votem. O trunfo de Chacón pode ser o facto de chegar ao congresso pelo menos com a ilusão de vantagem – ninguém quer dar o seu voto ao derrotado.

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A União Europeia manifestou choque e pesar pelos confrontos de quarta-feira em Port Said, Egipto, no final de um jogo de futebol, e pediu uma investigação “imediata e independente”.

Numa nota divulgada em Bruxelas, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e vice-presidente da Comissão Europeia, Catherine Ashton, informa que transmitiu às autoridades egípcias as suas mais sentidas condolência para o povo do Egipto, e diz esperar que sejam investigadas as causas dos confrontos que provocaram 74 mortos. “Espero que uma investigação imediata e independente faça luz sobre as causas deste acontecimento trágico”, escreve Ashton.Também a comissária europeia responsável pelo Desporto, Androulla Vassiliou, afirmou-se “profundamente triste e chocada com as horríveis cenas e a perda de vidas a que se assistiu em Port Said”. “Tal como com todos os desportos, o futebol pode provocar paixões intensas, mas os acontecimentos que vimos no estádio são absolutamente inaceitáveis”, declarou.Setenta e quatro mortos e 188 feridos é o balanço oficial dos confrontos registados em Port Said, Egipto, no final do jogo de futebol entre do Al-Ahly, treinado pelo português Manuel José, e o Al-Masry.Os números foram avançados em comunicado pelo Governo egípcio, que dá conta da morte de um polícia e da detenção de 47 pessoas, enquanto a Irmandade Muçulmana responsabilizou os apoiantes do antigo presidente, Hosni Mubarak, pelos actos de violência.Um representante da maior força política egípcia, eleito para o parlamento, Essam al-Erian, afirmou, através de um comunicado colocado no sítio do Partido Liberdade e Justiça na internet, que “os acontecimentos em Port Said foram planeados e são uma mensagem dos apoiantes do antigo regime”.Os confrontos que levaram a uma das maiores tragédias de sempre em eventos desportivas começou mal o árbitro deu por terminado o jogo em que o Al-Masry impôs a primeira derrota da temporada ao Al-Ahly (3-1), na 17.ª jornada do campeonato egípcio, com os adeptos a atirarem pedras, tochas e garrafas, tendo inclusive ferido alguns jogadores.

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