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21
Feb
Forças pró-governamentais sírias disparam contra uma multidão que participava nos funerais de três jovens mortos ontem durante as maiores manifestações em Damasco desde o início da revolta contra o Presidente Bashar al-Assad. Há informações de pelo menos uma vítima mortal. Num encontro com o Presidente sírio, um enviado chinês pediu às duas partes para “cessarem de imediato a violência”.
“Começaram a disparar contra a multidão depois dos funerais. As pessoas estão a fugir e a procurar refúgio nos becos”, contou à Reuters, por telefone, um habitante de Mazze bairro no Oeste de Damasco, onde se concentram várias embaixadas e edifícios governamentais e palco de um dos maiores protestos da véspera. O Observatório dos Direitos Humanos sírio, organização que recolhe informação junto de activistas no terreno, disse à AFP que havia “disparos incessantes” no bairro que terão provocado vários feridos. Os conselhos de coordenação locais, um dos grupos mais activos da oposição, diz que os disparos junto ao cemitério mataram pelo menos uma pessoa e feriram outras quatro, incluindo uma mulher baleada na cabeça.Antes da confusão se instalar, imagens transmitidas em directo através da Internet mostram milhares de pessoas nos funerais, repetindo palavras de desafio contra Assad: “Sacrificaremos o nosso sangue e a nossa alma pelos mártires. Um só, o povo sírio é um só”. Segundo os activistas – o regime sírio não autoriza a presença de jornalistas estrangeiros, tornando impossível a confirmação independente destas informações – dezenas de milhares de pessoas saíram à rua na véspera em Mazze e em vários outros bairros de Damasco, mais habituada até agora a manifestações pró-Assad. Houve também informações consistentes de grandes protestos em Aleppo, a segunda maior cidade do país e igualmente pouco habituada à contestação. Um desafio a que o regime respondeu com mão férrea: segundo o Observatório pelo menos 30 pessoas foram mortas em vários pontos do país, quatro das quais em Damasco. Animada com a mobilização, a oposição convocou para amanhã um “dia de desobediência” na capital, esperando que muitas lojas e escolas no primeiro dia da semana de trabalho.China pede fim da violênciaNo encontro desta manhã com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Assad insistiu que o regime se limita a responder aos grupos armados que têm como propósito “dividir o país e atacar a sua posição geopolítica e o seu papel histórico na região”. Na resposta, Zhai Jun reafirmou que Pequim não aprovará nunca “uma intervenção armada na Síria, nem a chegada pela força de uma dita mudança de regime”. O enviado chinês avisou, ainda assim, que o “governo, a oposição e aos grupos armados devem parar de imediato os actos de violência” para que a calma regresse “o mais rapidamente possível” ao país, permitindo levar por diante as reformas prometidas por Assad. A China, tal como a Rússia, vetaram no início do mês uma proposta de resolução apresentada pelos países árabes ao Conselho de Segurança da ONU, condenando a repressão do regime sírio e defendendo a saída de Assad do poder. Os dois países, juntamente com outras dez nações, mantiveram a posição no debate de sexta-feira na Assembleia-Geral da ONU, onde a resolução (agora sem carácter vinculativo) foi aprovada.
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