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9
Jan
Depois das agências Moody’s e Standard & Poor’s, foi hoje a vez de a Fitch baixar o
A Fitch faz eco das dificuldades do executivo conservador de Viktor Orban e apresenta, numa nota, as razões deste corte: “A revisão em baixa dos ratings da Hungria reflecte a deterioração do ambiente fiscal e financeiro externo e das perspectivas de crescimento, motivada, em parte, por políticas económicas pouco ortodoxas que estão a minar a confiança dos investidores e a dificultar um novo acordo com o FMI/UE”.Perante as dificuldades económicas do país, avisa a agência, o rating húngaro mantém-se em perspectiva negativa, face à estimativa de uma recessão de 0,5% este ano. É a terceira revisão em baixa da nota de crédito do país em cerca de dois meses, por parte das grandes agências de notação norte-americanas. As outras duas, que, com a Fitch, controlam o mercado de rating mundial, já haviam colocado a notação húngara num nível de investimento especulativo (considerado nos mercados como “lixo” financeiro): a Standard & Poor’s baixou em Dezembro o rating para o nível BB+ e a Moody’s descera em Novembro para Ba1.Sob os receios de colapso financeiro revelados pelos parceiros europeus, a Hungria (um dos dez da UE que não estão na zona euro) acedeu ontem retomar as negociações com a Comissão Europeia e o FMI, para receber uma linha de crédito que, tal como 2008, evite a entrada do país em incumprimento da sua dívida, ou seja, em bancarrota.As negociações estão, desde 16 de Dezembro, num impasse, após as duas instituições suspenderem as discussões com Governo de Viktor Orban, confrontadas com a reforma, entretanto aprovada pelo Parlamento, da governação do banco central húngaro, que Bruxelas e os parceiros europeus consideram pôr em causa a independência e as boas regras da governação do supervisor bancário.A nova Constituição húngara, que entrou em vigor no novo ano, foi mal recebida nas ruas. O Parlamento aprovou a nova Lei Básica e vários diplomas que garantem o controlo governamental sobre instituições públicas e que limitam, por exemplo, a autonomia do banco central. A revista Economist escreve que, pela segunda vez consecutiva, o Governo de Budapeste começa o ano envolto em controvérsia com aquilo a que os críticos consideram ser desvios perigosos das normas democráticas.Ao mesmo tempo, as dificuldades financeiras do país evidenciaram-se ontem numa emissão de obrigações (com maturidade de um ano). O Estado não conseguiu emitir a totalidade da dívida prevista e pagou pelos 35 mil milhões de forint emitidos (110 milhões de euros) um juro de 9,96%.Sinal de aversão dos investidores, esta emissão falhada teve o seu peso no corte de rating da Fitch. “Os movimentos adversos no sentimento dos mercados em relação à Hungria foram maiores do que nos seus pares do centro europeu, como a Polónia e a Roménia, realçando os seus problemas internos, bem como o contágio da crise da dívida da zona euro [à qual a Hungria não pertence]”, nota a agência. Tamas Fellegi, o representante da Hungria nas negociações com a UE e o FMI, e com o governador do banco central húngaro, Andras Simor, mostrou-se já hoje aberto a um compromisso, mas também deixou claro que o Governo não está disposto a ceder em tudo nas negociações para receber o financiamento externo.
- Published by admin in: Economia
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